
Que livros pretende ler este verão?
Seja verão ou outra estação, uma vez que o conceito de “férias” não consta do meu quotidiano, tenho sempre pilhas de livros que desejo ler, não só por causa do trabalho (pesquisa, escrita, recensões para o Ípsilon), mas também por curiosidade e interesse. Tenho a sorte de receber muitos livros, graças à generosidade das editoras e tento alternar leituras de obras publicadas recentemente com os meus clássicos preferidos. Para já, vou iniciar a leitura de Aguarela de Paris, do meu amigo João Pinto Coelho, e de Anatomia da Melancolia, de Robert Burton, um clássico reeditado numa excelente coleção da Quetzal – li todos os que já saíram, (Lazarilho de Tormes, Robinson Crusoe, A Cidade e as Serras, pela centésima vez, sempre com a mesma alegria, e o delicioso Novelas do Minho, de Camilo Castelo Branco).
Recomende três livros a outros leitores (e diga-nos porquê).
Sou uma leitora devota de certos escritores(as), que me têm acompanhado ao longo da vida. Recomendo, desde já, Ian McEwan e O que podemos saber, o seu romance mais recente, um dos meus eleitos que, ao longo da sua longa carreira, tem sabido abordar as questões mais prementes da nossa História contemporânea com uma inteligência invulgar. Esta história passa-se num futuro não muito distante em que a Terra, devido às alterações climáticas, se encontra quase totalmente alagada e os sobreviventes desejam ardentemente recuperar a cultura e a alegria desaparecidas, por culpa da incúria dos habitantes deste belo planeta.
Descobertas: O Sul, do escritor malaio-britânico Tash Aw, um romance de aprendizagem maravilhoso, um dos mais belos que tenho lido ultimamente; Audição, da americana Katie Kitamura; A Mulher Singular e a Cidade, da cronista nova-iorquina Vivian Gornick – que me fez suspirar de saudades de uma cidade que conheço bem; e um romance autobiográfico de uma italiana que desconhecia, Maria Grazia Calandrone, Escrito com Sangue na Água, relato da vida da mãe da autora que viveu o fascismo e a IIª Grande Guerra em Itália, nesses tempos sombrios de violência e desespero.
O indispensável Perdeu-se Relógio de Senhora, de Alice Brito, uma escrita clara em que o realismo cruel da ditadura, a pobreza, a exclusão, o preconceito, e a condição das mulheres (e dos homens) num Portugal das trevas são expostos sem concessões. Uma lição de História.
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Todos os inquéritos de verão estão disponíveis nesta página.
A seguir: Pedro Babo.