
Que livros pretende ler este verão?
As longas tardes de chuva em Nova Orleães, de Ana Teresa Pereira, publicado pela Relógio d´Água
O símio arrogante, de Christine Webb, traduzido por Artur Lopes Cardoso e publicado pela Temas & Debates
A consciência das palavras, de Elias Canetti, traduzido por Paulo Osório de Castro e publicado pela Cavalo de Ferro
Sala de Sujos, de João Miguel Fernandes Jorge, publicado pela Bestiário
Atlas de lugares em extinção, de Travis Elborough, traduzido por Maria José Figueiredo e publicado pela Quetzal
O mundo de ponta-cabeça, de Benjamin Moser, traduzido por Denise Bottmann e publicado pela Companhia das Letras (edição brasileira)
Touro como nós – a ciência da vida e o espectáculo da dor, de Luís M. Vicente, publicado pela Pergaminho
Recomende três livros a outros leitores (e diga-nos porquê).
Não sou um robô – a leitura e a sociedade digital, de Juan Villoro, traduzido por Helena Pitta e publicado pela Zigurate.
Sugiro a leitura deste livro porque aborda temáticas muito presentes nas nossas rotinas e que se mostram desafiantes para o nosso futuro como humanidade. Precisamos de reflexão e acima de tudo de sensibilidade, de perscrutar o mundo sob uma definição natural dentro da essência individual para captarmos a dimensão colectiva. Juan Villoro parte de uma perspectiva humanista para pensar na existência e aceder a um rumo, recorrendo também a referências literárias e culturais. Precisamos de tempo para essa consolidação e para alterar os prenúncios em nome da liberdade. Podemos e devemos resistir por atalhos comunitários e não num sistema de cada um por si. Este livro, como outros do género, obrigam-nos à filosofia da vida, cada vez mais necessária e fundamental para a sobrevivência.
Ver o invisível – história das ideias sobre a mente no mundo ocidental, de Rodrigo de Sá-Nogueira Saraiva, publicado pela Bookbuilders.
Na esteira da sugestão anterior, este livro oferece ao leitor uma visão daquilo que muitos não conseguem ver. Para nos compreendermos melhor como espécie precisamos de alcançar a percepção do que é a mente humana. Rodrigo de Sá-Nogueira Saraiva leva-nos por campos tão diferentes como a Psicologia, a Filosofia, a Medicina, a Religião e tantas outras ciências para explicar que a mente humana tem uma profundidade única e que é capaz de nos encantar pelo alcance que provoca. Ou pela dificuldade que encontramos ao tentar percebê-la na plenitude, talvez uma impossibilidade que nos obriga a desconectar, a desistir ou simplesmente a resignar. Um livro obrigatório e estimulante.
Não é preciso gritar, de Eduarda Chiote, publicado pela Campo das Letras
Este livro tem quase 20 anos, foi publicado em 2008, mas anda comigo há muito tempo. Quando o li, perdi o fôlego. Uma escrita intensa e vertiginosa, depurada e provocatória, não resisti. Eduarda Chiote aborda o existencialismo e este sopro que representa a vida. Tenho muitos exemplos para dar de livros inesquecíveis e que me marcaram profundamente, mas aproveito esta oportunidade para homenagear esta excelente escritora, um tanto ou quanto esquecida, a viver numa residência sénior em Ovar, ironia do destino, está a residir na minha terra, e que merece ver lembrada a sua escrita, pujante, de alta qualidade, reflexiva, vibrante, capaz de nos absorver sem contemplações. Numa era sombria, de caos e afastamentos, Eduarda Chiote leva-nos com este livro por uma luminosidade instigadora, porque é mesmo isso que a literatura representa, a busca de uma chegada quando na verdade é uma partida.

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Todos os inquéritos de verão estão disponíveis nesta página.