10 de Setembro de 2026 – 2.ª edição

Boa tarde,

A revista VISÃO está nas bancas desde esta manhã, mas só agora consegui folheá-la. E em boa hora o fiz: há três peças muito interessantes para ler nesta edição, com destaque especial para a entrevista de Rosa Ruela a Markus Dohle, fundador e antigo CEO da Penguin Random House. Aqui ficam alguns excertos:

“Há 30 anos, a Amazon começou por ser uma livraria e toda a gente pensava que era o fim, que ela ia destruir a indústria, mas aconteceu o contrário: a indústria beneficiou do ecommerce de muitas maneiras. Fortaleceu os negócios, as prateleiras infinitas estão a beneficiar o catálogo e os livros antigos, e, claro, ganhámos um alcance sem precedentes.”

“as editoras e a indústria do livro beneficiaram dos formatos digitais, e isso tornou o negócio mais robusto e aumentou novamente o nosso alcance”.

“A maioria dos mercados do livro deu um enorme salto durante a pandemia. Por exemplo, o mercado português era em 2025 cerca de 40% maior do que em 2019, antes da pandemia. E o interessante é que os mercados atingiram um novo patamar durante a pandemia e estão a manter esse nível e a crescer a partir dele.”

“As pessoas estão a regressar ao papel, aos livros impressos, porque existe uma fadiga digital. As livrarias estão a passar por um renascimento, porque as pessoas querem ter novamente a experiência física de folhear livros.”

“Ler é um ato muito solitário, mas os jovens querem sentir-se parte de uma comunidade e querem fazer da leitura e dos livros um evento comunitário, porque querem ter uma vida social e conhecer pessoas com interesses semelhantes e talvez os mesmos autores favoritos. Portanto, há aqui uma tendência muito positiva a acontecer.”

“vejo o papel continuar a prevalecer, mesmo nos mercados emergentes ou em economias como a Índia, onde pensávamos que a transição para o digital seria demasiado rápida.”

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Depois, recomenda-se o artigo de opinião de José Carlos Vasconcelos sobre Manuel António Pina, intitulado “M. A. Pina: o cronista raro, que nos faz muita falta”:

“(…) Uma vez (…) disse ao Pina que tinha uma grande surpresa para ele: “Agora tens cá uma estátua!”. Ele, silencioso, piscou os olhos miúdos por trás dos seus inseparáveis óculos de aros finos, com o seu constante sorriso enigmático. “Vamos lá ver”, acrescentei. E seguimos pelo Passeio Alegre em direção ao Casino. No vasto espaço em frente, com os canteiros verdes dispersos, a fonte e os repuxos de água ao centro, quase na extremidade do lado norte, virado para o mar, lá estava: “Senhor Poeta”, escultura de Francisco Simões, em mármore branco da Turquia, 3,10 metros de altura. O bigodinho, os óculos, a quase calvície, o ar – para mim, o Pina; para o autor, Fernando Pessoa – como, aliás, inscrito na pedra. (…).”

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Por fim, Miguel Pauseiro, presidente da APEL, escreve sobre o livro, a leitura e a literacia a propósito da quarta edição do “BOOK 2.0 #The Future of Reading” (com Markus Dohle como um dos oradores), que se vai realizar nos dias 15 e 16 de Setembro de 2026 no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa:

Os indicadores mostram-nos algo que não podemos ignorar: Portugal continua a apresentar níveis muito baixos de leitura e de literacia no contexto da Europa Ocidental. Temos poucos leitores, poucas livrarias especializadas e resultados preocupantes nas competências de literacia dos adultos. Quando um país tem dificuldades em ler, interpretar, avaliar informação e formar pensamento crítico, toda a sociedade fica mais vulnerável.

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Boas leituras.

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