
Que livros pretende ler este verão?
Quando me perguntam o que pretendo ler nos próximos tempos, hesito sempre. A resposta mais honesta é que raramente cumprirei o que projeto. Sei que, muito provavelmente, continuarei a adiar a leitura integral de As Mil e Uma Noites e dos vários tomos da Bíblia traduzida por Frederico Lourenço. São livros que me acompanham há anos, projetos aos quais regresso frequentemente, mas raramente com a disciplina necessária para os concluir. Curiosamente, desses grandes desígnios de leitura, apenas consegui concluir a totalidade da obra de Voltaire.
O acesso facilitado a novas publicações, a descoberta constante de autores, as recomendações e os acasos das livrarias provocam-me constantes desvios. Nos últimos tempos, também devido ao acréscimo de obrigações profissionais, dei por mim a comprar ainda mais livros do que aqueles que alguma vez conseguirei ler. Acumulo começos. Há livros que leio até ao fim, mas muitos outros permanecem abertos a meio, não necessariamente por falta de qualidade ou de interesse.
O que me afasta de um livro é, muitas vezes, uma espécie de desapontamento. Perturba-me encontrar uma ideia brilhante mal explorada, uma história cheia de potencial que se dispersa, um pensamento que promete profundidade e acaba por ficar pela superficialidade. Talvez por isso tenha deixado de encarar a leitura como uma lista de metas a cumprir. E assim vou adiando algumas leituras, enquanto me deixo surpreender por outras que nunca tinha planeado abrir.
Ainda assim, se tiver de indicar três livros que provavelmente lerei nos próximos tempos, seriam estes:
Em primeiro lugar, A Criatura: Autobiografia de uma Inteligência Artificial, de Deana Barroqueiro. Interessa-me particularmente a forma como a obra poderá dialogar com uma das grandes questões do nosso tempo: poderá a inteligência artificial substituir a «bata branca», tal como esta substituiu, em muitos domínios, a milenar «bata preta»? Poderá a IA vir a oferecer alternativas de sociabilidade numa sociedade cada vez mais tecnológica e, paradoxalmente, mais carente de relações socioafetivas?
Em segundo lugar, lerei O Século dos Imbecis, de Valter Hugo Mãe. Tenho grande curiosidade em perceber como o autor lê e interpreta o mundo contraditório e alucinado em que vivemos.
Por último, pretendo ler A Última Lição de Álvaro Siza Vieira, de Patrícia Reis. Ler o que nos diz Álvaro Siza Vieira, mediado pela sensibilidade literária de Patrícia Reis, augura bons momentos de reflexão e aprendizagem.
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Todos os inquéritos de verão estão disponíveis nesta página.
A seguir: Ana da Cunha.