[leituras de verão] As sugestões de Rafael Gallo

Que livros pretende ler este verão?

Olha, há muitos livros que pretendo ler, e outros tantos com os quais tenho alguma forma de obrigação, seja pelo doutoramento ou por outras demandas. Provavelmente, vou falhar com a maioria. Mas para citar alguns que estão como prioritários em minha lista de leituras, começo por O livro das comunidades, da Maria Gabriela Llansol. Nunca li um livro inteiro dela e, desnecessário dizer, sinto ser uma dívida que preciso pagar. Também pretendo ler Delírio, da Laura Restrepo, que deve se tornar uma boa referência para o romance no qual estou trabalhando. Para não me embaralhar ainda mais, com leituras que talvez acabe por não fazer, vou dizer apenas mais um, que com certeza não deixarei passar, assim que chegar às minhas mãos, vindo do Brasil: Ressalga, da Bethânia Pires Amaro. Primeiro romance dessa autora que Portugal deveria conhecer o quanto antes.

Recomende três livros a outros leitores (e diga-nos porquê).

Recentemente, li Anna Karénina, do Lev Tolstói, e adorei. Sei que é um desses livros que a maioria de nós adia a leitura, mesmo tendo um exemplar em casa, e uma conhecida minha até disse que é um desses “livros de inverno”, quando há mais tempo sem atividades externas. Mas a experiência de lê-lo, juro, é bastante prazerosa e envolvente. As páginas passam como se leves (ok, exceto pelo desfecho de Anna, mas ele é belíssimo).

    O quarto de Giovanni, do James Baldwin. Li-o recentemente e foi dos melhores que pude conhecer nos últimos tempos. É o tipo de prosa que tem grandes achados poéticos, mas não lambuza o texto o tempo todo com eles. A história se mantém atualíssima, o enredo surpreende muitas vezes e Baldwin é um mestre.

    Os Malaquias, da Andréa del Fuego. Eu adoro esse romance da Andréa, que foi vencedor do Prémio Literário José Saramago, e que está publicado em Portugal pela Companhia das Letras. Na minha opinião, é o melhor trabalho dela, com a história de uma família cujos pais morrem ao terem a casa atingida por um raio. Seguimos o percurso das três crianças órfãs, que são separadas e vivem em um mundo de realismo fantástico, mas que guarda muitas relações com alguns “Brasis” arcaicos (não há só um Brasil, há muitos).   

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    Todos os inquéritos de verão estão disponíveis nesta página.

    A seguir: Ana Pinto Mendes.

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