[leituras de verão] As sugestões de Sandra Barão Nobre

Que livros pretende ler este verão?

A cidade e as serras, de Eça de Queirós – Para continuar a replicar aquele verão dos meus quinze ou dezasseis anos em que li Os Maias pela primeira vez e devorei, depois, tudo o que havia do Eça na casa dos meus pais. Verão sem um livro de Eça (lido pela primeira vez ou relido) não sabe a Verão.

Lire pour relier – La bibliothérapie à pleine voix, de Régine Detambel e Why we read fiction – Theory of mind and the novel, de Lisa Zunshine – Duas leituras para o doutoramento em estudos literários que ainda agora começou e deverá ocupar-me por mais três anos.

Recomende três livros a outros leitores (e diga-nos porquê).

A linha da beleza, de Alain Hollinghurst – Porque acabei de lê-lo há minutos e sinto-me totalmente arrebatada pelo livro. Esperou por mim na estante desde 2005. Lembro-me de, nessa altura, ter feito uma tentativa para lê-lo e de tê-lo deixado ao fim de poucas páginas. Faz-me pensar na pessoa que eu era então e na pessoa que sou hoje.

Assaut contre la frontière, de Leïla Slimani – Porque me identifico em absoluto com o espírito universalista da autora, porque não gosto de fronteiras (talvez por isso o meu doutoramento verse sobre temas interdisciplinares) e porque, tal como Slimani, quando me perguntam de onde sou, há sempre uma fracção de segundos em que não sei o que responder. E quando respondo, sinto sempre a necessidade de me justificar. Talvez a maioria das pessoas desconheça esta sensação. A leitura deste livro explica-a muito bem. Por último, porque me fez adquirir uma nova perspectiva sobre os filhos dos emigrantes portugueses que não aprendem a falar português.

Revolução, de Hugo Gonçalves – Porque foi o melhor livro de ficção nacional que li em 2025 e, quase um ano passado, ainda penso muito nele. Entrelaçando factos históricos com a vida das famílias Montalvão e Alegria Storm — tão reais, tão verosímeis, tão portuguesas — Hugo Gonçalves traça um retrato pulsante de Portugal entre 1950 e 1984 (e um piscar de olhos à actualidade nas últimas páginas) com destaque para o combate à ditadura, a guerra de Portugal com Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, o 25 de Abril, o PREC (Processo Revolucionário em Curso) e o 11 de Março e o 25 Novembro de 1975. Demonstra, de forma brilhante, que a política está em tudo.

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Todos os inquéritos de verão estão disponíveis nesta página.

A seguir: Richard Zimler.

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