[leituras de verão] As sugestões de Hugo Xavier

Que livros pretende ler este verão?

A más horas mas ainda neste Verão, verei se tenho tempo para ler (o que posso tornar público – porque estou sempre a ler potenciais livros para publicar e esses são “segredos do negócio”):

Aquele Belo Rapaz – poesia completa, de Konstandinos Kavafis, com tradução de José Luís Costa (A&A)

Nancy Cunard: Heiress, Muse, Political Idealist, por Lois Gordon (Columbia University Press)

Desvios, de René Crevel, com tradução de Diogo Paiva (Edição Snob)

Recomende três livros a outros leitores (e diga-nos porquê).

No que toca às minhas sugestões de leitura, desavergonhadamente começo por um livro que publiquei recentemente e que era um dos livros que queria fazer há décadas: O Passa-paredes e Outras Novelas, de Marcel Aymé, com tradução do Manuel de Freitas (Livro B). Que é um livro que adoro por vários motivos. M. Aymé era um escritor com uma notável consciência ética e moral mas escreveu e publicou este livro numa França ocupada pelos Nazis e cada história, de modo diametralmente diferente, é uma forma de dizer coisas socialmente relevantes sob a capa da ficção usando caminhos fantásticos e/ou simplesmente estranhos. Vai fazer qualquer leitor rir-se, sorrir e depois, no final, ficar preocupado. E isso é tão importante…

A minha segunda sugestão vai para um livro extraordinário sobre um homem extraordinário (que li em inglês – o livro tem tradução portuguesa mas o que essa tradução fez com o título e subtítulo não auguram nada de bom). Trata-se de O Memorial dos Livros Naufragados – O filho de Colombo e a demanda de uma biblioteca universal, de Edward Wilson-Lee, da Bertrand (em inglês The Catalogue of Shipwrecked books – e quem ler o livro vai perceber porque é que catalogue é muito mais au point do que memorial…). Uma biografia de um tempo, de uma família, de um homem que não era assim tão inteligente mas tinha manha e energia e de um seu filho que era um génio que a história deixou plantado em notas de rodapé da História. A cada página aprende-se uma (ou mais) coisa nova.

Por fim, um livro que dá algum trabalho a encontrar: a Obra Reunida, de Manuel de Lima (Ponto de Fuga), um livro que saiu em 2019 e, muito provavelmente, esteve na origem da pandemia porque é incómodo e brilhante. A obra recolhida de um autor que é daqueles que “num país civilizado” seria reconhecido como um génio e que “nós por cá” ignorámos quase totalmente porque não era fácil arrumar-se numa categoria/escola/movimento/tempo. Manuel de Lima está ali perto do surrealismo mas não é bem o Mário-Henrique Leiria – é algo mais – tem uma obra curta e diversificada mas tudo o que fez é sempre do melhor na categoria em causa.

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Todos os inquéritos de verão estão disponíveis nesta página.

A seguir: Miguel Carvalho.

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