[leituras de verão] As sugestões de Nuno Vieira de Almeida

Iniciamos agora a publicação do Inquérito de Verão da RIL. Depois de no ano passado termos pedido a 44 escritores que nos falassem sobre o seu processo criativo, desta vez o exercício é mais simples. Por esse motivo, decidimos alargar a iniciativa também a “não-escritores” (seja lá o que isso for…). Em 2026, queremos saber duas coisas: 1) que livros tenciona ler e 2) que livros recomenda a outros leitores.

O primeiro a responder foi o pianista Nuno Vieira de Almeida. Seguir-se-á Ana Cláudia Santos.

Todos os inquéritos estarão disponíveis nesta página.

Que livros pretende ler este verão?

Terminei há dias um maravilhoso romance do Dumas, creio que o último que escreveu, La San Felice. Depois de 1700 páginas penso que vou ler alguns Maigret do Simenon para aliviar da tragédia. E provavelmente iniciar a leitura do Livro do Graal.

Recomende três livros a outros leitores (e diga-nos porquê).

1 – Recomendaria este mesmo romance que acabei de ler, La San Felice, apesar de me parecer que a edição portuguesa está há muito esgotada. Tenho Alexandre Dumas como um dos grandes escritores do século XIX. Quem acha que os seus romances são (apenas) para a juventude está muito enganado. Este de que falo é uma tragédia mas a continuidade e diversidade dos episódios, a noção de ritmo, a elegância da prosa absorve-nos de tal forma que 1700 páginas vão-se num ápice

2 – De Thomas Mann, Ensaios – Um livro fundamental para mim. Tenho pena que o ensaio sobre Goethe não esteja presente, mas a variedade dos temas e a forma genial de discorrer de Mann, torna este livro indispensável, do meu ponto de vista. O pequeno ensaio/elogio ao Castelo e a Kafka, fizeram-me feliz. Kafka é para mim, um grande amigo. Um dos meus planos para um futuro próximo é melhorar o meu alemão para ter o prazer de ler Mann no original. 

3 – De Georg Trakl, Crepúsculo de Outono. A poesia de Trakl não será propriamente algo de florido e vistoso, antes é sombria, nocturna, densa. Mas é também maravilhosa. E a tradução de João Barrento é notável, como é hábito. Tenho pena que a edição não seja bilíngue. 

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