[leituras de verão] As sugestões de Patrícia Fonseca

Que livros pretende ler este verão?

Passo o ano a ler sobretudo não-ficção, por defeito profissional mas também por paixão, e nos poucos dias de férias que tenho no verão “obrigo-me” a ler um romance. Este ano quero muito mergulhar nestes três:

The Things We Never Say, de Elizabeth Strout (Penguin, 2026, ainda não traduzido para português). Ganhou o Pulitzer este ano e não tem ligação às séries de Lucy Barton e Olive Kitteridge, que ainda não li na totalidade… por isso não resisto a saltar já para este, que promete uma reflexão sobre o tão pouco que sabemos sobre os outros – até mesmo sobre aqueles que nos são mais próximos.

O Lugar da Incerteza, de Patrícia Reis (Companhia das Letras, 2026). É o seu mais recente livro e o único que ainda não li. Acho que ela escreve de forma magistral sobre a fragilidade (e também a força) que há em cada um de nós. É muitas vezes desarmante. Faz-me rir e chorar. E pensar, sempre, sobre o que ando aqui a fazer.

Tudo Sobre Deus, de José Eduardo Agualusa (Quetzal, 2026). Não consigo saber que há um novo livro do Agualusa sem lhe deitar a mão.

Recomende três livros a outros leitores (e diga-nos porquê).

1 – O Infinito num Junco, de Irene Vallejo (Bertrand, 2020). Será que algum seguidor da RIL ainda não o leu? É difícil pensar numa melhor sugestão para quem gosta de livros. Apesar de ser um ensaio histórico com quase 500 páginas, lê-se de um fôlego.

2 – Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar (Ulisseia, 1951, na edição traduzida por Maria Lamas). É um clássico a que volto muitas vezes. Sendo um romance (a autobiografia imaginária do imperador Adriano), tem na sua base 30 anos de pesquisa histórica, revelando de forma fascinante como era a vida em Roma no séc. II.

3 – Na Síria, de Agatha Christie (Tinta da China, 2010). É o único livro de não-ficção entre os mais de 100 que a rainha dos policiais escreveu, e é uma delícia. Uma espécie de diário das viagens que fez na Síria, nos anos 30, a acompanhar as escavações arqueológicas do marido, Max Mallowan. Depois de quase um século de guerras, a Síria de Agatha Christie já não existe. Mas quase conseguimos ver, ouvir, cheirar e sentir como era através destas páginas.

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Todos os inquéritos de verão estão disponíveis nesta página.

A seguir: Susana Amaro Velho.

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