[leituras de verão] As sugestões de João Costa

Que livros pretende ler este verão?

Primeiro, o que planeio ler no verão (para mim, verão é estar na praia com um livro e, geralmente, é um livro por dia ou dia e meio, o que torna sempre a lista de leituras de verão bastante longa… já me aconteceu ficar sem livro para o último dia e foi um desespero!):

Quarto de despejo – Diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus

Negras costas do tempo, de Javier Marías

A escrita ou a vida, de Jorge Semprún

Assim para nós haja perdão, de A. M. Homes

Devoção, de Patti Smith

Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector

Escrito com sangue na água, de M. G. Calandrone

Tóquio Express, de Seicho Matsumoto

Mudar: Método, de Edouard Louis

Limpa, de Alia Trabucco Zerán

Eu sou uma rapariga sem história, de Alice Zeniter

La cause du Christ, de Benoit de Sinety

O quarto de Giovanni, de James Baldwin

O diabo está nos detalhes, de Leila Slimani

Cultura e democracia, de Paulo Pires do Vale, Jacques Rancière e Chantal Mouffe

Refugiados, de Vet Tanh Nguyen

Recomende três livros a outros leitores (e diga-nos porquê).

Rasura, de Percival Everett

Só há pouco tempo o li e é um daqueles romances à boa maneira da literatura norte-americana, em que se conta uma boa história, se mergulha nos meandros dos processos criativos e se vive a angústia das muitas ambiguidades da vida, das funcionalidades e disfuncionalidades das famílias, do que se pode dizer e do que se guarda para si.

Perdeu-se relógio de senhora, de Alice Brito

Tenho um carinho imenso pela Alice Brito, de quem fui aluno na escola secundária. Todos os seus livros são absolutamente incríveis. Relaciono-me com eles como setubalense, mas sobretudo pela forma como consegue, pela ficção, fazer-nos mergulhar na experiência vivida da opressão das mulheres, ontem como hoje. Os seus livros são, como dizem os ingleses, “unputdownable”.

Tudo na natureza apenas continua, de Yiyun Li

Como consegue uma mãe partilhar a experiência de perder dois filhos que se suicidam? Como conseguiu esta escritora pôr em palavras o que dizemos sempre não haver palavras para descrever ou explicar? Um dos livros mais corajosos que li na vida, que nos revolta, entristece, acalenta e desinstala em cada luto que vamos fazendo. Não é um murro no estômago, é uma tareia como nunca apanhei.

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Todos os inquéritos de verão estão disponíveis nesta página.

A seguir: Marisa Fernandes.

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