[leituras de verão] As sugestões de Rui Zink

Que livros pretende ler este verão?

Estou à espera que saia A Turista Invisível, da Ana Saragoça. Há autores que me irritam porque escrevem de mais, há outros que me irritam porque escrevem de menos. Ainda estou furioso com o Martin Cruz Smith por ter morrido. E agora, que policiais sentimentais passados na Rússia e na Ucrânia vou ler? A Ana Saragoça é daquelas pessoas que me irritam por publicar pouco. Escreveu há uns vinte anos uma grande novela breve (Todos os dias são meus) e esta Turista Invisível promete: um desaire picaresco com pernas e celulite de inter-rail até Itália. Vi umas páginas e fiquei curioso de saber se a protagonista morre ou almoça.

Comprei A Cozinheira e o Ditador, do Afonso Cruz. O Afonso é o chamado valor seguro. Só me chateia, ainda sem ter lido o fim, saber já o fim. A cozinheira almoça o ditador e serve-o em vinha de alhos. Pelo menos, espero que seja esse o fim. Também comprei, para oferecer mas na verdade para eu ler, o último romance do Jacinto Lucas Pires, Vento nos Olhos. O Jacinto tem uma coisa em comum com a Patrícia Portela. Enfim, duas. Ambos vêm do teatro, e ambos têm uma espécie de visão beata perante a realidade. Eu nunca consegui. E são ambos europeístas convictos. Eu também nunca consegui.

A Cláudia Lucas Chéu também é do teatro, mas tem mais pancada e mais cacetada. Erra mais à minha moda, com empatia mas um bocado à bruta. Tenho aqui o seu Malparidos, onde dá voz a gajos. Ou seja, a mim.

Vizinhanças, de Nuno Saraiva e Ana Bárbara Pedrosa é outro livro que me irrita. São várias curtas de BD, e a primeira história (a única que já li) é um magnífico ‘noir’. Se as outras lhe chegarem nem que seja aos joelhos já temos livro ganho. O que aqui me irrita é não saber se os dois autores (o veterano da BD e a escritora neófita no ramo) irão continuar com a colecção. Nunca mais lhes falo se não houver, para o ano, segundo volume. Juro.

Cruz Torcida, de Sally Carson, é um romance sobre a ascensão do nazismo escrito em tempo real. Publicado em 1934, andava esquecido e só agora foi reeditado, em Portugal (pela Sibila) e em todo o mundo.

De Marilene Felinto, uma das melhores escritoras brasileiras, tive de encomendar o seu último romance, Corsária pelo qual paguei os olhos da cara, por causa das taxas tributárias. Mas prontos, quando uma pessoa quer ler, uma pessoa arranja maneira de ler. Até porque não quero pertencer à categoria (muito tuga) dos que só lêem se o livro lhes for posto no colo.

E enquanto não vem novo livro do poeta, fico com estes versos do Bucólica (2014), de Ricardo Marques:

Ergue a língua
contra o resto estival
da tarde

Lambe com ela
a pedra
a formiga que passa

*

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A seguir: Diana Teixeira de Carvalho.

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