
Que livros pretende ler este verão?
Para alguém que lia um ou dois livros por semana, pois tinha bastante tempo por vezes à noite ou ao fim-de-semana, numa ilha perdida no sudeste asiático, agora deparo-me com várias solicitações e tem sido complicado. Anseio, por isso, pelo mês de agosto – o único em que posso tirar férias – para poder organizar um pouco as leituras que estão bastante atrasadas.
Indico 3 livros, mas a verdade é que espero ler mais alguns. Vou ignorar algumas novidades, mais breves, e elencar três obras de fôlego – gosto do Verão para ler livros grandes, daqueles tijolos que podem servir de almofada na praia (preferencialmente desertas, e antes da enchente que descaracteriza o Algarve). Muitas vezes deixo os livros grandes para ler em casa e levo outros mais pequenos para a praia – até para não se estragarem.
Os três livros são, portanto: 1) O Quarteto de Alexandria, de Lawrence Durrell – e tendo tempo também quero ver a série. Esta é uma leitura essencial e há muito tempo adiada; 2) Uma Pequena Vida, de Hanya Yanagihara, pois embora já tenha lido Ao Paraíso, continuo com o livro mais badalado da autora por ler; 3) Conduz o Teu Arado sobre os Ossos dos Mortos, de Olga Tokarczuk. Tenho estado a ler e reler a autora, para um artigo, em resposta a um convite que me foi feito, e concluo que esta é a sua obra essencial que preciso conhecer urgentemente, e por azar um dos poucos que não li.
Recomende três livros a outros leitores (e diga-nos porquê).
Não sei se são as leituras ideais para o vosso Verão, mas, daquilo que tenho lido, há três livros que não hesito recomendar. Para quem anda fascinado a ler A Península das Casas Vazias (outro dos que quero ler pois já tinha ouvido falar muito, ainda antes de ser anunciado), gostava de insistir num livro que ainda acho que pouca gente conhece e que se tornou meu íntimo ao longo de cerca de 10 anos: O meu mundo não é deste reino, de João de Melo, que explorou o filão do realismo mágico de modo único, conferindo-lhe a sua própria marca pessoal – o estilo insular dos Açores.
Outro livro que recomendaria é Lillias Fraser, de Hélia Correia, um dos livros mais belos da nossa literatura recente, também cheio de magia e por onde passa Blimunda.
E ainda O Mel sem abelhas, da Judite Canha Fernandes, que se debruça sobre a Madeira, o colonialismo, a escravatura… É um livro belíssimo sobre temas nada belos.
Vale ainda a pena ler Klara e o Sol, de Kazuo Ishiguro, até porque o filme que aí vem pode bem estar à altura do livro e lembra um Tim Burton.
Estou a ser tremendamente injusto para com muitos outros autores, mas a oferta é desmesuradamente imensa e eu continuo a tentar mentalizar-me que não temos Verões suficientes na vida, mesmo quando as tardes se alongam.
*
Todos os inquéritos de verão estão disponíveis nesta página.
A seguir: Rita Bertrand.