[leituras de verão] As sugestões de Rita Bertrand

Que livros pretende ler este verão?

Nas próximas férias quero ler mais um par de romances da Siri Hustvedt. Li recentemente o maravilhoso Fantasmas, sobre a sua relação com Paul Auster, e percebi que estava em falta com ela: por razões que nem eu própria consigo explicar (possivelmente porque o descobri antes e porque o meu subconsciente achou improvável haver dois génios literários na mesma casa), sempre acompanhei a obra dele e descurei a dela. Entretanto já li Recordações do Futuro. O próximo deverá ser Verão Sem Homens.

Também tenciono ler Carne, de David Szalay (só porque ganhou o Booker), Os Funcionários, de Olga Ravn (porque é pequeno, portanto não pesa nas caminhadas para praias menos acessíveis) e Herscht 07769, de László Krasznahorkai, que me parece precisar de uma disponibilidade mental que não consigo ter no tempo de trabalho.

Recomende três livros a outros leitores (e diga-nos porquê).

A Trilogia de Copenhaga, de Tove Ditlevsen, uma obra-prima de autoficção muito à frente do seu tempo – é dos anos 1960/70 e abrange temas mais atuais que nunca, das relações familiares à condição feminina e aos escapismos possíveis face às opressões da vida, sem os moralismos de algibeira e truques sentimentais que abundam na autoficção contemporânea.

A Picada de Abelha, de Paul Murray, história de uma família, com um ritmo viciante, escrita através do olhar (contaminando o estilo) das diferentes personagens que a compõem.

O Que Podemos Saber, o mais recente romance de Ian McEwan e o melhor dos últimos anos, possivelmente desde Expiação. É um díptico, com uma primeira parte de uma imaginação prodigiosa, uma distopia erudita (coisa rara), em que um académico do futuro olha para o nosso tempo (com foco no mundo das letras e, subtilmente, na relação com a natureza e nas armadilhas do capitalismo), e uma segunda parte a deitar luz sobre a primeira num estilo completamente diferente, quase prosaico, menos desafiante, mas mais arrepiante.

E, finalmente, A Sombra das Árvores no Inverno, de Carla Pais, Prémio Leya acima da média habitual, que cruza diferentes famílias (do Médio Oriente, da África Central, da Europa) numa narrativa que fala de guerra, migrações, exílio, pobreza, injustiça, mas também de amor e esperança, a desaguar nos subúrbios de uma grande cidade ocidental – talvez Paris, mas isso não importa: a história é universal.

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Todos os inquéritos de verão estão disponíveis nesta página.

A seguir: Rui Zink.

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