
Que livros pretende ler este verão?
Como faço a curadoria de um clube de leitura, uma boa parte das minhas leituras de verão já está definida. Nos próximos meses vou regressar a alguns clássicos que nunca perdem a atualidade e encontrar, em cada um deles, formas diferentes de pensar a identidade, o desejo, a liberdade e o peso das convenções:
Junho: Madame Bovary, de Gustave Flaubert
Julho: Fanny Owen, de Agustina Bessa-Luís
Agosto: Orlando, de Virginia Woolf
Setembro: Sensibilidade e Bom Senso, de Jane Austen
São quatro livros muito distintos entre si, mas partilham uma mesma inquietação: o lugar das mulheres, as expectativas que lhes são impostas e a tensão constante entre o que desejam e o que a sociedade lhes permite desejar.
Recomende três livros a outros leitores (e diga-nos porquê).
Escolho três livros de autores da lusofonia – não só pela qualidade literária, mas porque me ajudam a compreender melhor a nossa história, o nosso presente e as experiências de quem raramente ocupa o centro das narrativas.
Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo, de Teolinda Gersão — Um livro que não nos deixa suavizar o passado. A literatura tem essa responsabilidade: obrigar-nos a olhar para aquilo que preferiríamos esquecer.
A (In)Felicidade de Sara Lisa, de Ana Portocarrero — O primeiro livro de uma autora portuguesa que merece ser descoberta. Recomendo-o porque há qualquer coisa muito especial em acompanhar o início de uma voz literária.
Áurea, de Henrique Rodrigues — Um romance que nos aproxima das dificuldades vividas por uma mulher negra brasileira e nos convida a refletir sobre desigualdade, resistência e dignidade.
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Todos os inquéritos de verão estão disponíveis nesta página.
A seguir: Adriano Batista.