O que li em Agosto/ What I read in August

The Shadow of the Object, de Chloe Aridjis (Chatto & Windus);

Helen of Nowhere, de Makenna Goodman (Fitzcarraldo Editions);

The Renovation, de Kenan Orhan (Hamish Hamilton)

Contrapposto, de Dave Eggers (Canongate).

Robinson Crusoe, de Daniel Defoe (Quetzal, com tradução de João Pedro Vala).

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Tenho por hábito ler apenas os livros candidatos ao Booker Prize que chegam à shortlist, mas este ano decidi começar a empreitada bastante mais cedo e ler alguns dos 13 que compõem a longlist. Já tinha lido The Things We Never Say, de Elizabeth Strout, quando a lista ainda não tinha sido divulgada, e este mês juntei mais três: Helen of Nowhere, The Shadow of the Object e The Renovation.

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The Shadow of the Object é um romance sobre a memória, a morte e a forma como as pessoas continuam presentes nos objectos que deixam para trás. A protagonista, Flora, conhece Wilhelmina, uma mulher idosa e coleccionadora de objectos antigos, durante uma estadia no hospital, no México. Coincidência forçada ao não, descobrem que vivem muito perto uma da outra, em Londres. E vai ser aqui que, na segunda parte do livro, Flora se irá aproximar do filho de Wilhelmina, Max. Não é o meu preferido, mas é um livro para nos fazer pensar sobre a dura passagem do tempo e da importância de se preservar aquilo que inevitavelmente acabará por desaparecer.

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Helen of Nowhere é um romance que explora o ego, a masculinidade, a identidade e a dificuldade de fugir de nós próprios. A história acompanha “Man”, um professor universitário que perde o emprego e decide afastar-se da sociedade. Acredita que a mudança para uma casa isolada lhe permitirá começar uma nova vida, mas acaba por levar consigo os problemas que já o afligiam.

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The Renovation foi, dos três, aquele de que mais gostei. É um livro fascinante para quem gosta de temas como a memória, a perda, a família e a migração, mas sobretudo, para quem se interroga sobre o que acontece à identidade de quem vive sufocado por um regime ditatorial. Fala-nos da Turquia sob o domínio de Erdogan pós-tentativa de golpe de Estado de 2016 e de como os medos seguem as personagens para todo o lado, mesmo na Itália, onde vive Dilara, a personagem principal. É também um livro sobre a demência (do pai dela). Vale a pena dizer que a história começa quando Dilara decide renovar a casa para tornar mais fácil a vida do pai, mas vem a descobrir que em vez de uma nova casa de banho, os trabalhadores construíram… uma cela de prisão turca. A situação é absurda e surreal, mas é uma interessante porta de entrada para a realidade daquele país. Há muitas “prisões” neste livro. Muito bom.

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– O “funcionário do mês” é, sem dúvida, Contrapposto, de Dave Eggers. Não porque tenha passado mais tempo com ele do que com o outros (é um facto…), mas porque Eggers sabe construir excelentes personagens e trata os temas com profundidade. Cricket, um rapaz que cresce numa família complicada, encontra no desenho uma forma de escapar à realidade. Quando conhece Olympia, uma rapariga mais velha e muito diferente dele, os dois desenvolvem uma relação que atravessará várias décadas, marcada pela amizade, amor, desejo e afastamento. É mais do que isso, claro: a relação entre Cricket e Olympia representa também duas formas diferentes de encarar a arte: ele acredita na criação artística pelo prazer de criar; ela quer que a arte tenha público, reconhecimento e sucesso. Embora o final não seja espetacular (seja lá o que isso for), pareceu-me o possível atendendo à sua relação tumultuosa.

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Robinson Crusoe foi uma releitura. O que se pode dizer dele que nunca tenha sido dito? Provalvemente, nada. Mas foi uma bela aventura.

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Boas leituras.

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