[leituras de verão] As sugestões de João Morales

Que livros pretende ler este Verão?

Estou já a ler Miles Davis – Autobiografia (escrito pelo próprio, com Quincy Troupe, poeta, editor, jornalista e professor universitário americano), publicado por cá pelas Edições Fantasma. Estamos no centenário de um dos Mestres do Jazz, um homem que mudou a música várias vezes.

Ao longo do Verão, propriamente dito, também por motivos profissionais, vou seguramente aventurar-me pelos mais recentes romances do José Luís Peixoto (A Montanha, da Quetzal), Filipa Martins (No Meu Fim Está o Meu Começo, também da Quetzal) e do Afonso Reis Cabral (O Ultimo Avô, da Dom Quixote).

Depois, espero ainda conseguir abalançar-me a duas obras recentes de BD, Spielberg (um álbum do fantástico Amazing Améziane – sou absolutamente fã – publicado em Portugal pela Asa), e Butterfly Chronicles, do grande João Mascarenhas (na Escorpião Azul).

Recomende três livros a outros leitores (e diga-nos porquê).

O Verão é bom para descobrir livros que passaram muito despercebidos (o Inverno, a Primavera a o Outono também, mas não é deles que estamos agora a tratar). As escolhas são sempre difíceis, amanhã, provavelmente, seriam outras. Hoje, proponho estas três abordagens distintas.

A quem gostar de andar por alfarrabistas, feiras e páginas online de usados, proponho que descubra A Ruína, o primeiro livro da Jennifer Egan que foi traduzido em Portugal (2012, talvez…), pela mão da Saída de Emergência. Dois primos, com questões de juventude encravadas, encontram-se passadas décadas, com a missão de restaurar a ruína de um castelo. Um homem, numa prisão de alta segurança, escreve sobre dois primos que pretendem restaurar um castelo. As duas narrativas avançam, lado a lado, pensamos nós, já desconfiando de algo, até que percebemos o que estamos a ler.

Em seguida, sugeria a Trilogia do Mal, do Ricardo Menéndez Salmón (A Ofensa; Derrocada e O Revisor). Sim, são três livros, mas cada um deles tem cerca de 120 páginas… façam um esforço e encarem-nos como “um todo”. Personagens bem construídas, ideias fortes, uma escrita que se cola aos nossos olhos.

E para não dizerem que só trago para aqui sugestões com mais de uma década (o que, para muitos, é mesmo que dizer “sugestões provenientes de outra Era Geológica”), peço-vos que leiam As Sombras de Uma Azinheira, extraordinário romance de Álvaro Laborinho Lúcio (publicado na Quetzal), talvez o livro que melhor sintetize alguns dos seus dilemas e desafios perante a vida.

*

Todos os inquéritos de verão estão disponíveis nesta página.

A seguir: Regina Gaspar.

Deixe um comentário