[leituras de verão] As sugestões de Ricardo Figueira

Que livros pretende ler este verão?

Sinceramente não sei dizer… Quando mudei de França para Portugal, a minha biblioteca acabou por ficar na casa de férias/ fim-de-semana, porque era o único sítio onde cabia… Por isso, tenho muito por onde escolher, e durante as férias irei certamente escolher entre os livros que tenho lá para ler. No ano passado li dois de um autor italiano de policiais que descobri, Piergiorgio Pulixi, e este ano talvez leia mais um, A Livraria dos Gatos Pretos. Tenho também A Verdade sobre o caso Henry Quebert, do Joel Dicker, li outros dele em Verões passados, talvez pegue nesse também.

No Verão gosto de ler policiais, sobretudo quando são page turners. Outros que tenho lá na estante a olhar para mim incluem as últimas colectâneas da Divergência e da Fábrica do Terror, onde participam vários amigos, ou ainda uma colecção de contos de Tennessee Williams… logo vejo em quais pego. Nas férias costumo ler mangás também, são bons para levar para a praia.

Recomende três livros a outros leitores (e diga-nos porquê).

Não vou certamente ser pretensioso ao ponto de recomendar o meu, mas quero recomendar os de duas queridas amigas, não por serem minhas amigas, mas por serem muito bons livros que, infelizmente, não estão a receber a atenção devida.

O primeiro é Pudesse ser noite a vida inteira, de Laura Vasques de Sousa, editado pela Traça este ano. Tive o privilégio de o ler antes de ser publicado. Como disse à Laura, está entre as coisas mais originais que se publicaram em Portugal nos últimos anos. Infelizmente, quem publica em pequenas editoras raramente chega aos media…

O segundo é o Puro, da Nara Vidal, uma das vozes mais fortes no romance brasileiro contemporâneo. É um livro extraordinário que se lê de um trago, sobre esse tema sempre actual que é a crueldade humana. Publicado pela Relógio d’Água, também passou ao lado da nossa imprensa literária.

Finalmente, um autor que descobri há muito pouco tempo de que fiquei fã é o Sandro Veronesi. Os dois mais recentes, Colibri e Setembro Negro foram editados por cá e bastante falados, mas atrevo-me a recuar um pouco e recomendar o que ele escreveu antes desses dois, Caos Calmo. É um livro extraordinário sobre a solidão e a perda. Em Portugal há uma edição já com uns bons quinze anos, talvez não seja muito fácil de encontrar, penso que nunca chegou a ser reeditado.

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Todos os inquéritos de verão estão disponíveis nesta página.

A seguir: Cláudia Lucas Chéu.

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