Cá pela RIL, a semana começa com Gabriela Ruivo, escritora que venceu o Prémio Leya em 2013. Esta é a décima sexta entrevista de uma série dedicada a autores portugueses.

Todas as entrevistas estão acessíveis a partir daqui.

Amanhã: Richard Zimler.

Quarta-feira: Dora Gago.

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Se pudesse escolher uma ou duas pessoas para lerem o seu livro mais recente, quem seriam?

Duas pessoas que, infelizmente, já não estão entre nós, e que sei que uma das coisas que mais queriam era ler este livro. Uma porque faleceu antes do livro ser publicado, e a outra faleceu antes da tradução para inglês ser publicada (coisa que nem sei se vai acontecer, mas tenhamos fé).

Como lida com o bloqueio criativo?

O bloqueio criativo não existe, na minha opinião. O que há são condições externas que nos impedem de escrever, mas isso é a vida a acontecer.

Qual foi o melhor ou o pior conselho de escrita que já recebeu?

Dirigir a escrita para público-alvo (seja lá o que isso for).

Quem é a pessoa, ou qual é o lugar ou prática que teve o maior impacto na sua formação como escritora?

A leitura, sem dúvida.

Há alguma parte da sua rotina de escrita que poderia surpreender os seus leitores?

A minha rotina de escrita não existe – não consigo ter uma rotina. Escrevo quando posso, quando a loucura do dia-a-dia me permite ter um momento de clausura (tenho de estar sozinha e em silêncio). Durante anos não tive um canto na minha casa que pudesse chamar de escritório ou local de trabalho, mas mesmo assim, lá fui conseguindo encontrar esses momentos no meio do caos. Agora já tenho, mas é muito recente. Também passo mais tempo a escrever na minha cabeça do que propriamente a escrever.

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Gabriela Ruivo nasceu em Lisboa e vive em Londres desde 2004. Venceu o prémio LeYa em 2013, com o romance Uma Outra Voz (LeYa, 2014), distinguido com o PEN Clube Português Primeira Obra em 2015 e publicado no Brasil em 2018. Entre 2016 e 2020, participou em várias antologias de poesia e conto. Publicou A Vaca Leitora (D. Quixote, 2016), Aves Migratórias (Poesia, On y va, 2019), Espécies Protegidas (contos, On y va, 2021) e Uma Mulher de Palavra (poesia, edição de autor, 2022). Traduziu o livro A Cabana do Tio Tom, de Harriet Beecher Stowe (Sibila Publicações, 2020). Dirige a Miúda Children’s Books in Portuguese, uma livraria online sediada no Reino Unido, especializada em literatura infanto-juvenil escrita em português. É presidente do conselho cultural da AILD no Reino Unido e co-fundadora dos projectos Mapas do Confinamento (www.mapasdoconfinamento.com) e Portuguese in Translation Book Club (www.pintbookclub.com). Lei da Gravidade é o seu mais recente livro. (via Wook)

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Nelson Ferreira da Silva