No JORNAL DE NOTÍCIAS:
Começa amanhã o festival Literatura em Viagem, em Matosinhos:
(…) Além da presença de escritores como Ana Margarida de Carvalho, Teolinda Gersão, Mário Cláudio, Francisco José Viegas ou Hugo Gonçalves, o Literatura em Viagem vai debruçar-se sobre a matéria da ficção, a relação entre o movimento, a descoberta e a escrita ou o papel da cultura na construção de identidades nacionais globais. Ainda no âmbito das conversas, Valter Hugo Mãe protagoniza no derradeiro dia uma entrevista de vida, conduzida por Maria João Costa. (…)
No CORREIO DA MANHÃ:
Esta sexta-feira, Francisco José Viegas recomenda O Pôr do Sol Nascente, de Osamu Dazai (Presença, com tradução de Manuel Alberto Vieira).


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No WEEKEND/ NEGÓCIOS:
Lúcia Crespo entrevista Antonio Monegal, professor catedrático de Teoria da Literatura e Literatura Comparada na Universidad Pompeu Fabra, autor dos livros Como o Ar que Respiramos – O Sentido da Cultura e O Silêncio da Guerra (ambos da Objectiva e ambos com tradução de Gonçalo Neves).
(…) A cultura pode ser uma resposta contra a guerra. Ao longo do tempo, a nossa perceção sobre a guerra tem mudado. Até ao início do século XIX, os relatos de guerra enalteciam atos heroicos, façanhas e glórias. As guerras napoleónicas, por exemplo, não causaram espanto, pois era habitual as nações afirmarem o seu poder invadindo outros territórios. Hoje, nada disso é aceitável. Ninguém acha que Putin esteja a agir corretamente. As notícias já não exaltam vitórias; pelo contrário, destacam o sofrimento das pessoas e o custo das guerras. (…)



Esta semana, Manuel Falcão sugere Murmúrio, de Will Eaves (Quetzal, com tradução de Helder Moura Pereira).


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No IPSILON:
Isabel Lucas entrevista Camila Sosa Villada, autora de Tese Sobre uma Domesticação (Quetzal, com tradução de Margarida Amado Acosta):
(…) Naquela altura, podias ser o lixo, o mamarracho, podias ser o disparate que quisesses, se te vestisses de mulher, toda a gente te chamava “o travesti” ou “a travesti”. Era uma coisa que as outras pessoas te diziam, não era uma coisa que dizias a ti mesma. Quando comecei a travestir-me não tinha a mínima ideia do que estava a fazer. Sabe, quando se fala do natural, do não natural? Para mim, foi um movimento natural. Não foi uma coisa que eu tenha pensado ou algo que me meteram na cabeça, como dizem agora os fascistas sobre a “ideologia de género”. Eu tinha três anos, vestia as saias da minha mãe, pintava-me como transgénero — ou travesti. (…)


A seguir, nova entrevista: José Marmeleira conversou com Jacques Rancière a propósito de As Viagens da Arte (Orfeu Negro, com tradução de Pedro Elói Duarte).


Na crítica, Helena Vasconcelos dá cinco estrelas a A tradução do mundo, de Juan Gabriel Vásquez (Alfaguara, com tradução de Rui Pires Cabral); e David Teles Pereira atribui quatro estrelas a Mapa de Movimentos Interiores, de Diogo Paiva (Cutelo).


A fechar o IPSILON, António Guerreiro escreve esta semana sobre a reportagem de Christiana Martins sobre a relação entre Isabel da Nóbrega e José Saramago (Revista E, do EXPRESSO, na semana passada):
(…) Levanta-se ainda outra questão importante (e são essas questões que aqui me interessam, para além de considerar que o artigo é uma intolerável condenação moral pública): é um imperativo moral manter uma dedicatória, sempre ligada a contingências temporais, para todo o sempre? Tem o autor a prerrogativa de rever, alterar e até “rasurar” e negar a sua obra, excepto as dedicatórias? Retirar uma dedicatória equivale porventura a um acto de censura? Ao escrever que Saramago “tentou apagá-la [Isabel da Nóbrega] da sua obra”, Christiana Martins incorre noutro erro: uma dedicatória é um elemento paratextual, retirá-la não é o mesmo que apagar alguém de uma fotografia, como fez o regime estalinista. (…)
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No PÚBLICO:

Colóquio na Biblioteca Nacional lembra os cem anos de António Jacinto, o guerrilheiro-poeta que deu ao português um “chão angolano”. O livro que reúne a sua obra dispersa será hoje lançado. O texto é de António Rodrigues.
No suplemento IDEIAS/ EXPRESSO:
Catarina Maldonado Vasconcelos entrevista a jornalista alemã Susanne Kaiser, autora de A Revolta do Homem Branco (Zigurate, com tradução de Helena Araújo):
Os nossos filhos recebem ideias supremacistas todos os dias.


Depois, fique a saber que a jornalista Raquel Albuquerque anda a ler Roman Stories, de Jhumpa Lahiri, e Aventura da Banana, Uma história de Júlia (um “minilivro” amador).


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Na Revista E/ EXPRESSO:
Orhan Pamuk escreve um artigo sobre os mais recentes tumultos no seu país, na sequência da prisão do principal rival de Erdogan. O título é “O Fim da Democracia na Turquia”.
Na crítica, Pedro Mexia dá cinco estrelas a Castelos Perigosos, Trilogia Alemã – Volume I, de Louis-Ferdinand Céline (E-Primatur, com tradução de Clara Alvarez); Luís M. Faria dá também cinco estrelas a Do Prazer de Odiar e Outros Ensaios, de William Hazlitt (Edições 70, com tradução de Ricardo Manjerona); quatro estrelas de José Mário Silva para Boulder, de Eva Baltasar (Relógio D´Água, com tradução de Ângelo Ferreira de Sousa); e, por fim, Humanos Exemplares, de Juliana Leite (Companhia das Letras), recebe quatro estrelas de Sara Figueiredo Costa.
Sem direito a estrelas: Naquele dia, de Laura Alcoba (D. Quixote), e Os Naufragistas, de Robert Louis Stevenson e Lloyd Osbourne (Tinta da China).






No CULTURA.SUL:
Para ler, duas páginas de Paulo Nóbrega Serra sobre Chimamanda Ngozi Adichie: “Entre a América e África – Sonho e Desencantamento”.

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Boas leituras.
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