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6 de Outubro de 2026

Bom dia,

Morreu Jeffrey Archer.

Lê-se na BBC: “O autor de best-sellers e antigo político Jeffrey Archer morreu aos 86 anos. Archer vendeu mais de 300 milhões de livros ao longo da sua carreira de cinco décadas como escritor, incluindo as séries Clifton Chronicles e Kane e Abel, e muitas vezes ambientou os seus romances na sua terra natal, Wellington, Somerset. Num comunicado, a editora de Archer, a HarperCollins, afirmou que o autor morreu «subitamente e em paz, em casa», na segunda-feira, entre sessões de escrita.”

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Esta manhã, antes de avançar para os jornais, gostaria de recuperar a belíssima entrevista que o tradutor Miguel Serras Pereira deu ao PÚBLICO no passado domingo, e que só ontem tive oportunidade de ler.

Miguel Serras Pereira fotografado para o P2/ PÚBLICO por Daniel Rocha.

O QUE DISSE SERRAS PEREIRA?

O tempo subjectivo, que é aquele que nós apreendemos. Mas há qualquer coisa que ultrapassa também a subjectividade no tempo que é a nossa condição e a condição do mundo e de tudo o que existe.

Há uma criação na medida em que nos debatemos sempre com a intraduzibilidade, nenhuma língua é traduzível, ou completamente traduzível noutra.

Freud dizia que havia três profissões impossíveis: psicanálise, política e educação. E há uma quarta que é a tradução.

A pessoa pode saber muito bem o inglês, o francês ou o alemão e não conseguir a transposição, a metamorfose que a tradução faz.

A perspectiva mais assustadora é saber aquilo que perderemos quando perdermos a leitura. Perdemos muito mais do que este livro ou aquele, perdemos uma dimensão do pensamento e de relação com a própria linguagem.

No domínio das ideias, por exemplo, há livros de autores franceses ou italianos que são traduzidos para português, não da língua original, mas do inglês. Como o inglês se tornou uma língua universal — não é o bom inglês, é uma espécie de pidgin —, as outras línguas deixam de se contactar entre si e de se modificar. Isso representa um empobrecimento para cada uma delas.

Caminhamos para um individualismo muito empobrecido. Faria parte da afirmação individual, da personalidade de cada um, o contacto com os outros. É precisamente para os outros que nós somos diferentes. Este é um individualismo pré-formatado.

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AGORA SIM, VAMOS AOS MATUTINOS DESTA TERÇA-FEIRA

Começo pelo CORREIO DA MANHÃ, onde Francisco José Viegas sugere Como Ser um Dissidente, de Gal Beckerman (Presença).

Depois, no JORNAL DE NOTÍCIAS, o destaque vai para a notícia sobre o Festival Escritaria, que vai decorrer em Penafiel entre os dias 20 e 25 de Outubro. O escritor timorense Luís Cardoso vai ser a figura central da edição deste ano. O texto é de Sérgio Almeida.

Ainda no JN, uma breve: “Obra-prima inédita de Hayao Miyazaki chega às livrarias”. Trata-se do álbum de BD A Viagem de Shuna, editado pela Penguin.

O DIÁRIO DE NOTÍCIAS traz-lhe hoje os “Livros da Semana”, escolhidos por João Céu e Silva. São eles: Cobiça, Esplendor e Miséria, de Laurentino Gomes (Porto Editora), Cataclismo Atlântico, de David Eltis (Guerra & Paz), A Verdadeira História da Escravatura, de Martin Plaut (Clube do Autor), e A Descolonização e os seus antecedentes, de José Sá Carneiro (Gradiva).

No PÚBLICO lê-se que o Ministério da Cultura está dois anos atrasado no pagamento do
Prémio D. Diniz à Casa de Mateus: “Fundação de Vila Real vai manter a entrega do prémio, sexta-feira, à escritora Djaimilia Pereira de Almeida“.

Na página ao lado: A canadiana Anne Carson e a chinesa Can Xue lideram apostas para Nobel da Literatura. O anúncio é dia 8 de Outubro.

E no Guia Leituras desta semana, também no PÚBLICO, encontrará A música como modo de ser no mundo, um álbum de memórias da pianista Maria Teresa de Macedo, livro com a coordenação de Henrique Luís Gomes de Araújo e Ana Miranda (MPMP – Património Musical Vivo); Vigília, de George Saunders (Relógio D´Água, com tradução de Alda Rodrigues); O Caderno Perdido, de José Mário Silva (Parsifal); e ainda a notícia de que Nuno Júdice será alvo de uma homenagem no próximo dia 14 de Outubro, pelas 18h30, na Galeria Fernando Pessoa do Centro Nacional de Cultura, em Lisboa.

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PELA IMPRENSA DIGITAL

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AGENDA

No dia 13 de Outubro, às 18h30, a Livraria Buchholz recebe Leïla Slimani para o lançamento de Assalto à fronteira, o seu novo livro publicado pela Alfaguara. A sessão contará com a presença da autora e apresentação de Tiago Manaia.

@lauravasquessousa, @edgarpedro.autor, @margaridafonsecasantos_oficial, @rfigueira e @nunoduarte_tirapicos encontram-se no próximo dia 17 de Outubro, às 15 horas, na @inquietalivraria, em Lisboa, para mais uma sessão Conversas com Letras.

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Boas leituras.

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Nelson Ferreira da Silva