
– May We Feed The King, de Rebecca Perry (Granta);
– Switzy, de Emma Cline (Vintage);
– Life of M, de Rachel Cusk (Faber & Faber).
– Começo pelo fim: abandonei Life of M a meio. Não é uma prática muito habitual, mas por vezes acontece. Este Cusk é aborrecido até dizer basta. Porém, e uma vez que acredito mesmo na culpa do leitor, esqueçam o que escrevi.
– Em 2026, ao contrário de anos anteriores, comecei a ler os candidatos ao Booker Prize ainda na fase da “longlist”. Não consegui ler todos os 13 (seria impossível), mas May We Feed The King foi um deles – e precisamente um dos seis que viriam a ser incluído na “shortlist” divulgada a 22 de Setembro. É um livro sobre o que fazemos com a memória e sobre as possibilidades oferecidas quando se reconstrói um passado longínquo. Hoje em dia, quando tantos dados nossos flutuam nas nuvens digitais, parece quase impossível mascarar a nossa identidade. Mas… e no passado? Que fiabilidade têm as fontes? Devemos aceitar tudo? Onde começa a propaganda? Conseguimos reconstituir caminhos? O livro toca nesse tema, mas também num outro: até que ponto devemos persistir em algo que não nos deixa confortáveis? Estamos prontos para aceitar as consequências de uma tomada de decisão radical? May We Feed The King é o livro de estreia de Rebecca Perry e um sério candidato a conquistar o tão desejado cheque do Booker.
– Ao contrário do livro de Perry, Switzy, de Emma Cline, não conseguiu passar à “shortlist” do Booker – e com muita pena minha. David Hastings, um antigo diretor financeiro, sofre de uma doença degenerativa semelhante à doença de Alzheimer (nunca mencionada) e decide recorrer à eutanásia numa clínica na Suíça (daí o “Switzy”). Ao longo da viagem, David, que vai acompanhado pelo seu assistente, enfrenta uma perda progressiva de memória e de autonomia, tendo cada vez mais dificuldade em compreender o mundo, as pessoas e até as suas próprias ações. É um livro que nos dá a sensação de estar a prender a respiração, sobretudo nas páginas finais.
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