[leituras de verão] As sugestões de Sara Belo Luís

Que livros pretende ler este verão?

Junto o que recomendo ao que vou ler neste verão, numa mistura de leituras que tenho atrasadas e novidades sobre as quais tenho alguma curiosidade. O tempo em que for a banhos não vai ser completamente dedicado ao ócio (tenho pena, mas a vida é o que é), dado que também tenho na calha leituras de trabalho que têm vindo a ser adiadas sucessivamente. Aqui recolho um conjunto de sugestões que, espero, possam também possam servir de inspiração a quem me lê. Com uma única exceção, são todos livros escritos por mulheres – não foi uma escolha deliberada, mas é um justo acaso que me deixa feliz.

Amanhã à Mesma Hora, de Martim Sousa Tavares (Zigurate)

Já tinha gostado muito do livro de estreia de Martim Sousa Tavares (Falar Piano e Tocar Francês, também publicado pela Zigurate) e, por esse motivo, quis ler este Amanhã à Mesma Hora assim que foi publicado. Martim pensa bem, escreve bem, enquadra bem – e por isso lê-lo é tão gratificante. Além disso, é um extraordinário divulgador, comunicador, contador de histórias, o que faz deste seu novo livro um híbrido muito curioso: uma reflexão sobre a arte do maestro em conduzir uma orquestra, o trabalho em equipa e, no fundo, a natureza humana.

A Morsa, de Ana Cláudia Santos (Companhia das Letras)

Li Lavores de Ana, o primeiro romance da Ana Cláudia Santos, no verão do ano passado. De tal forma me entusiasmou que me fartei de o recomendar, de falar dele aos amigos (escusava de o ter emprestado sem “v” de volta, tenho de voltar a comprá-lo). Adorei a personagem, a Ana, a sua ironia, os seus medos, o seu erotismo velado. E também adorei, claro, as referências italianas e as paisagens de Nápoles. Ana Cláudia Santos já tinha publicado este A Morsa nas Edições Húmus, mas eu só o vou ler agora, nesta edição da Companhia das Letras, que em boa hora comprei na feira do livro.

Nas Palavras Dela, de Alba de Céspedes (Alfaguara)

Também comprei agora Nas Palavras Dela, assim em modo de compulsão, porque já O Caderno Proibido me tinha arrebatado. Os adjetivos são para ser usados nestas ocasiões: Alba de Céspedes é uma escritora fabulosa. Só muitas décadas de sociedades patriarcais, fascismos e mediocridades várias poderiam ter ocultado uma mulher assim, tão espantosamente à frente do seu tempo. Homens e mulheres do futuro, leiam-na!  

Notas para John, de Joan Didion (Cultura)

Outra obsessão minha. Há muito tempo que sou devota de Joan Didion. Este Notas para John, um diário onde a escritora norte-americana descreveu as sessões com o psiquiatra que a acompanhava, foi descoberto após a sua morte, em 2021. John é, claro, o seu marido, sobre o qual Didion também já havia escrito o inesquecível O Ano do Pensamento Mágico. Como já vou a meio, é capaz de já não chegar às férias grandes…

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    Todos os inquéritos de verão estão disponíveis nesta página.

    A seguir: Desidério Murcho.

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