10 de Abril de 2026

Bom dia,

MURNANE. Na REVISTA E/ EXPRESSO, José Mário Silva escreve sobre As planícies, de Gerald Murnane (Relógio D’Água, com tradução de Elsa T. S. Vieira). “Várias vezes referido como candidato ao Nobel, o australiano opera nesta ficção brevíssima (talvez a sua obra-prima) um pequeno milagre de contenção expansiva”.

AS ENTREVISTAS. No DIÁRIO DE NOTÍCIAS, Leonídio Paulo Ferreira entrevista Witold Szablowski, autor de Na Cozinha do Kremlin e Como saciar um ditador, ambos publicados pela Zigurate: “Brejnev tinha caviar à vontade no Kremlin, mas preferia batatas assadas como as que a mãe fazia em criança”; no ÍPSILON, José Riço Direitinho conversa com a psicanalista brasileira Vera Iaconelli a propósito do livro Análise – notas do divã (Companhia das Letras): “O amor é a melhor das ilusões. Eu projecto no outro uma coisa que não está lá e ele projecta em mim uma outra coisa que não está cá”.

AS CRÍTICAS. No ÍPSILON, Isabel Lucas atribui quatro estrelas e meia a Negras costas do tempo, de Javier Marías (Alfaguara, com tradução de Ana Maria Pereirinha): “(…) Não é exactamente um romance, ainda que recorra a dispositivos narrativos, nem é um ensaio, embora elabore um pensamento sobre o ofício. Marías chamou-lhe uma “falsa novela”, expressão provocatória e informativa, a avisar que o livro está numa zona de grande instabilidade, onde quase tudo se pode questionar e pôr à prova. (…)”; na REVISTA E/ EXPRESSO, Ana Bárbara Pedrosa dá quatro estrelas a As feras, de Clara Usón (Elsinore, com tradução de Rita Graña); Pedro Mexia dá três estrelas a A Prova, de César Aira (Cavalo de Ferro, com tradução de Rita Graña); quatro estrelas de Luís M. Faria para A Ciência está debaixo de fogo, de Michael E. Mann e Peter J. Hotez (Bertrand, com tradução de Helder Guégués); e quatro estrelas de Sara Figueiredo Costa para Orquestra, de Miqui Otero (Dom Quixote, com tradução de J Teixeira de Aguilar); sem direito a estrelas: A cozinha do ditador, de Afonso Cruz (Companhia das Letras), e Os elementos de Marie Curie, de Dava Sobel (Temas e Debates).

A OPINIÃO. Para Rodrigo Guedes de Carvalho, “A notícia da descida de divisão de Saramago foi recebida com repúdio de um lado, e alegria do outro. Mas de literatura pouco ou nada se falou.”. Crónica para ler no IDEIAS/ EXPRESSO.

A MEMÓRIA. O livro Diogo Jota – Nunca mais é muito tempo, de José Manuel Delgado (Cultura) aparece mencionado no CORREIO DA MANHÃ e no JORNAL DE NOTÍCIAS.

AS SUGESTÕES. No CORREIO DA MANHÃ, Francisco José Viegas recomenda Elena Sabe, de Claudia Piñeiro (Presença); no WEEKEND/ NEGÓCIOS, Manuel Falcão olha para Toda a Beleza do Mundo, de Patrick Bringley (Minotauro), Os elementos de Marie Curie, de Dava Sobel (Temas e Debates), e A Última Lição de Álvaro Siza Vieira, de Patrícia Reis (Contraponto); no mesmo jornal, Marco Alves redescobre José Rodrigues Miguéis com Páscoa Feliz (Assírio & Alvim), escreve brevemente sobre a nova edição de Robinson Crusoe, de Daniel Defoe (Quetzal Editores), e sobre o novo fenómeno de BD em Portugal, Final Cut, de Charles Burns (Asa); no IDEIAS/ EXPRESSO, o jornalista Luís Guerra anda a ler Cais do Sodré – das tavernas de marinheiros à revolução Jamaica e Tokyo, de João Macdonald e outros (Edições tinta-da-china).


Bozes Boadoras: um ano a espalhar poesia

O projeto Bozes Boadoras celebra no próximo domingo, dia 12 de Abril, um ano de existência. A celebração terá lugar no espaço “The Alchemist”, no Porto, num ambiente que promete cruzar charme e criação. O programa inclui, durante a manhã, uma oficina orientada por Emilene Lima e à tarde, o microfone abre-se a múltiplas abordagens da poesia oral: da declamação tradicional ao poetry slam e spoken word, explorando diferentes sonoridades e formas de presença. Um dos momentos centrais, nesse dia, será uma exposição, ou melhor, uma travessia entre palavra e imagem, que reúne 35 poetas e 35 artistas visuais.

Os poemas, que oscilam entre o íntimo e o político, entre o espaço doméstico e a violência do mundo, servem de ponto de partida para obras que não ilustram, mas interpretam, confrontam e expandem o universo poético. Fotografia, desenho, pintura e técnica mista compõem este percurso, afirmando-se como linguagens complementares. Destaca-se a generosidade dos artistas convidados, que aceitaram o desafio de traduzir palavras em imagem, contribuindo para um exercício coletivo de criação e escuta. Entre os participantes, sublinha-se ainda a presença de artistas com longos percursos, como Jorge Velhote, na fotografia, e Emerenciano Rodrigues, nas artes plásticas.

Que Bozes são estas?

O projeto nasceu de uma ideia original de Pedro Freitas Santos de “levar poetas populares ao Mercado do Bolhão, no Porto”. A partir dessa proposta inicial, foi-se desenhando uma iniciativa mais ampla, capaz de acolher outras dimensões e linguagens que naturalmente foram surgindo. Hoje, as Bozes Boadoras afirmam-se como um espaço de visibilidade para poetas emergentes ou menos conhecidos, mas também como algo mais profundo. Para Teresa Almeida Pinto, que coordena o projeto, “as Bozes Boadoras são um movimento, uma comunidade. Porque a poesia, quando é dita, escutada, partilhada e sentida em grupo, cria laços e sentimentos de pertença”.

“Boadoras” são vozes que circulam livremente, oriundas de todos os contextos: do mercado ao anfiteatro, do café à academia. Não se limita ao Porto: desde o início, o projeto integrou vozes de diferentes sotaques e origens, com poetas do Brasil, Moçambique e Angola, sem esquecer a diversidade linguística que atravessa Portugal, do Algarve aos Açores.

Os números de um ano intenso

Entre abril e novembro de 2025, realizaram-se sete sessões no auditório do Mercado do Bolhão, complementadas por uma Oficina de Voz e outra de Produção Poética. Todas esgotaram, com uma afluência média de 50 a 60 pessoas: o dobro da capacidade normal do espaço.

Já em 2026, a sessão realizada a 15 de fevereiro no Auditório da Biblioteca Almeida Garrett consolidou essa trajetória. O espetáculo reuniu poesia dita, encenada e musicada, com 27 poemas selecionados, 15 declamadores, cinco músicos e dois cantores em palco. Mais de 200 pessoas assistiram, ultrapassando largamente a lotação disponível.

No total, passaram pelas Bozes Boadoras 73 poetas, com idades entre os 13 e os 90 anos. Em cada sessão, surgiram pelo menos dez novos autores, confirmando o papel do projeto como plataforma de descoberta.

***

Boas leituras.

*

Deixe um comentário