
Bom dia,
Começo a RIL desta manhã pelo JORNAL DE NOTÍCIAS e para concordar com Afonso Reis Cabral que, a propósito da reportagem do PÚBLICO sobre a contratação de influenciadores para “animar” os alunos, escreve: “Impressionou-me muito uma das directoras que, questionada sobre ter autorizado a entrada de tais figuras, respondeu com um descaramento que me deitou abaixo: “Mas eu tenho sempre de fazer uma pesquisa sobre quem é a pessoa que vem à escola? Vem aqui um escritor e nós temos de estar a pesquisar?””. Mas o artigo é menos sobre isto e mais sobre o que acontece de extraordinário nas escolas: “Se é certo que também vejo algum atavismo e falta de empenho, tenho testemunhado, por outro lado, tanta entrega e generosidade, tanta genuína orientação estrutural dos alunos. Muito além de mínimos e normas, de forma criativa, abnegada e frequentemente com sacrifícios pessoais por parte dos professores e dos responsáveis.”.
Mantenho-me pelo JN porque 1) há uma breve para ler: “As 40 editoras independentes excluídas da Feira do Livro de Lisboa (27 de maio e 14 de junho) querem um evento literário alternativo.”; e 2) porque esta quarta-feira José Miguel Gaspar faz a crítica a Pão dos anjos – A história da minha vida, de Patti Smith (Companhia das Letras): “O livro distancia-se das biografias musicais convencionais ao adotar uma estrutura fragmentada, onde a nova-iorquina mapeia a sua trajetória por objetos, encontros casuais e peregrinações. A narrativa não obedece a uma cronologia rígida, operando antes como um fluxo de consciência que interliga o passado em Nova Iorque com viagens recentes.”.
Fecho o JN e abro o DIÁRIO DE NOTÍCIAS para encontrar o texto de Guilherme d´Oliveira Martins sobre António Lobo Antunes. Começa assim: “Era um amigo sincero que nunca esquecerei”. Ao lado, companheiro de página, Luís Castro Mendes também evoca o escritor: “Onde Saramago escolhe a concisão das palavras e a surpresa das parábolas, onde Lídia Jorge prefere falar connosco em voz mais baixa e intimista, onde Teolinda Gersão fala do que sabe com serenidade minuciosa, António Lobo Antunes, pelo contrário, escolhe envolver-se nesse torrencial fluxo de palavras com que tenta alcançar a velocidade da vida, fazendo-nos pensar em Faulkner ou em Céline (os mais óbvios) e, com toda a sua diferença de pontos de vista, até em Agustina, a irónica.”. Também António Carlos Cortez: “António Lobo Antunes, poeta? Sim, talvez poeta. Não sei se numa qualquer placa de homenagem, neste país em que já nada se lê que seja literatura desafiante; neste país rendido à lógica da não-agressão entre o leitor sem chaves para rodar qualquer texto difícil e onde o escritor aceitou, há muito, não ser exigente para com a arte de escrever, Lobo Antunes dispensará talvez essa espécie de último reconhecimento: o de ser poeta. E, no entanto, se a prosa do autor de valer para o leitor do hipotético-futuro, será ainda de poesia que teremos de falar.”.
Não se apresse a fechar o DN porque lá para o meio há uma entrevista de César Avó a Francisco Pereira Coutinho, autor de Guerra, Mentiras e direito internacional (Livros Zigurate): “Para os russos, a Ucrânia é uma guerra existencial”.
No CORREIO DA MANHÃ, Francisco José Viegas recomenda Camilo Castelo Branco e a nova edição do romance Agulha em Palheiro, publicado pela Balzac.
Esta semana, a SÁBADO tem António Lobo Antunes na capa e lá dentro dedica-lhe 23 páginas. Antes, porém, encontrará a entrevista de Luísa Oliveira a Luísa Ferreira Nunes, autora de Lições da Natureza (Contraponto): “O mecanismo das cobras venenosas pode ser adaptado à tampa de um doseador”.
Por fim, no SUL INFORMAÇÃO, Analita Santos critica Cisnes Selvagens, de Jung Chang (Quetzal), e Quando as Montanhas Cantam, de Nguyen Phan Que Mai (Alma dos Livros, com tradução de Carla Ribeiro).
Boas leituras.
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