6 de Março de 2026

Bom dia,

ANTÓNIO LOBO ANTUNES. Os jornais desta manhã dão grande destaque à morte do escritor. O JORNAL DE NOTÍCIAS escolheu uma citação como título: “A morte não existe. O que existe é a ausência das pessoas que amamamos”. Textos de João Miguel Gaspar, Catarina Ferreira, Afonso Reis Cabral (“Morre o escritor inteiro”), e uma entrevista ao seu biógrafo, João Céu e Silva (“Tenho a certeza de que se venerava a si próprio”); no DIÁRIO DE NOTÍCIAS, a notícia é dada por Maria João Martins: “O escritor dos livros insones”. Com depoimentos de Francisco José Viegas (“O Nobel perdeu Lobo Antunes, não foi ele quem perdeu o Nobel. O Nobel perdeu a oportunidade de ter Lobo Antunes”), Maria da Piedade Ferreira (“foi um cometa na literatura portuguesa”), Manuel S. Fonseca (“O amor dele pela literatura portuguesa e internacional era imenso”), e Lídia Jorge (“uma obra pioneira também porque conseguiu associar o método do romance psicológico com a memória”). Ainda no DN, poderá ler o poema do poeta Dinu Flamand e o texto de João Céu e Silva (“Fim para uma longa viagem com António Lobo Antunes”); no WEEKEND/ NEGÓCIOS, Celso Filipe diz que “António Lobo Antunes foi ali espreitar o outro lado da vida. Em mim, está sempre vivo. Até sempre.”; no CORREIO DA MANHÃ, Rui Zink: “Num país de azarados, não teve azar. Foi idolatrado. Merecia o Nobel, mas a ridícula obsessão ia-lhe dando cabo da vida.”. Páginas à frente, Gonçalo M. Tavares admite que “Era muito muito difícil ler Lobo Antunes e não escrever depois à Lobo Antunes . Ele é claramente um dos autores que mais influenciou jovens escritores. Fundou, sem o querer, pela potência própria do seu estilo, uma escola, um estilo, uma forma até de arrumar a página, de colocar, por exemplo, o diálogo no meio da narração como se fosse o refrão repetido de uma música”. E Francisco José Viegas: “Durante muito tempo, a sua melancolia irá perseguir-nos como um farol, uma ameaça e uma bênção. O talento, porém, era só seu, intransmissível como um relâmpago”; no EXPRESSO, Luciana Leiderfarb assina o obituário: “Era exigente, obcecado, laborioso, genial.”; no IDEIAS/ EXPRESSO, Rodrigo Guedes de Carvalho: “Eu vou à minha estante e estão lá os livros, encostados uns anos outros, cronológicos, mais firmes e disciplinados do que as paradas em Angola”; no PÚBLICO, escreve Isabel Lucas: “O escritor que construiu e desconstruiu a literatura portuguesa”. Depois, espaço para Ana Margarida de Carvalho: “A força torrencial da sua linguagem alagava tudo, num emaranhado de vozes, obsessivas mas nunca histéricas, quase sempre perplexas, que se sobrepõem, atropelam, sem querer saber do espaço e do tempo, num delírio caótico.”. E ainda, depoimentos de Frederico Pereira, Dulce Maria Cardoso e Gonçalo M. Tavares, “os contaminados” por António Lobo Antunes. Outras opiniões: a de Agripina Carriço Vieira, a de Lídia Jorge e a de Rui Cardoso Martins: “Foi o António que me disse, e mais tarde escreveu, que o seu maior amigo José Cardoso Pires me chamava “cabrão” por causa das minhas crónicas Levante-se o Réu, e que chamar “cabrão” a um caramelo era para ele um grande elogio. Bom, se é, obrigado, seus cabrões, uma vez mais.”. A morte de Lobo Antunes está igualmente no editorial do PÚBLICO e na crónica de Miguel Esteves Cardoso: “Passou essa vida toda para a escrita. No caso dele, é mesmo verdade: viveu para escrever. Mas, se tivesse vivido menos, não teria escrito menos. Foi essa a sua glória: escrever vem primeiro. Escrever é o fim. A vida é apenas o suporte, o depósito das experiências onde depois se vai buscar o vinho e o vinagre da escrita.”.

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A MENTIRA DO ESCRITOR. O texto que Patrícia Reis proferiu no Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim, está hoje no DIÁRIO DE NOTÍCIAS: “(…) Talvez o problema não seja que os escritores mintam. Talvez o problema seja só os escritores assumem que o fazem. Ao escritor não se exige verdade factual. Exige-se lucidez. Exige-se responsabilidade na construção de mundos que ampliam o pensamento em vez de o estreitar. (…)”.

TECNOLOGIA E RELIGIÃO. Esta semana, no WEEKEND/ NEGÓCIOS, Lúcia Crespo entrevista Greg M. Epstein, autor de Good without God e Tech Agnostic – Como a tecnologia se tornou a mais poderosa religião do mundo e porque precisa desesperadamente de uma reforma (Temas e Debates, com tradução de Ana Pinto Mendes).

AS SUGESTÕES. Manuel Falcão recomenda três livros no WEEKEND/ NEGÓCIOS: Máfia, Uma História Global, de Ryan Gingeras (Casa das Letras), Vizinhos Distantes – uma breve história das relações entre a China e a Rússia, de Soren Urbansky e Martin Wagner (Temas e Debates), e Portugal e o Ocidente, de Tom Gallagher (Dom Quixote).

PORTUGAL LÁ LONGE. Luís M. Faria escreve sobre três livros na REVISTA E/ EXPRESSO: A tragédia da partida dos colonos de Angola, de Xavier de Figueiredo (Guerra e Paz Editores); Um luto português, de Valentim Alexandre (Temas e Debates); e Macau – a última transição, de Alfredo Gomes Dias (Guerra e Paz Editores).

A CRÍTICA. Ana Bárbara Pedrosa dá cinco estrelas a A Piada Infinita, de David Foster Wallace (Quetzal Editores, com tradução de Salvato Teles de Menezes e Vasco Teles de Menezes); Pedro Mexia tem quatro estrelas para dar a Um homem que dorme, de Georges Perec (Antígona – Editores Refractários, com tradução de Luís Leitão); quatro estrelas de Sara Figueiredo Costa para As meninas do laranjal, de Gabriela Cabezón Cámara (Elsinore, com tradução de Guilherme Pires); Luís M. Faria atribui quatro estrelas a Genocídio – uma história política e cultural, de Paolo Fonzi (Edições 70, com tradução de José Serra); e quatro de Luísa Mellid-Franco para O surpreendente silêncio dos homens, de Rita Ferro (Dom Quixote). Sem direito a estrelas: Travessias (2019-2020), de Djamila Ribeiro (Editorial Caminho); e Ecrãs – um desastre sanitário, de Servane Mouton (Guerra e Paz Editores); no ÍPSILON, Luís Ricardo Duarte dá quatro estrelas a Hotel Timor, de Luis Cardoso de Noronha (The Poets and Dragon Society).

A ENTREVISTA. Isabel Lucas conversou com H. G. Cancela, autor de Matilde (Relógio D’Água): Não sou escritor. Eu escrevo. Ser escritor é um estatuto. Escrever é uma actividade”.

Boas leituras.

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