E que tal darmos um saltinho aos Açores para conhecer Pedro Almeida Maia, o entrevistado RIL de hoje?
Amanhã: Cristina Carvalho.
Quinta-feira: Nuno Costa Santos.
Todas as entrevistas anteriores estão acessíveis a partir daqui.
Boas leituras.
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Se pudesse escolher uma ou duas pessoas para lerem o seu livro mais recente, quem seriam?
Escolheria um produtor de cinema ou um investidor com vontade de retratar um aprendiz de gangster no grande ecrã, uma história paralela ao caso mediático dos anarquistas Sacco e Vanzetti que até agora era praticamente desconhecida. Daria uma excelente adaptação ao audiovisual, mas claro que a minha opinião pode ter algum enviesamento.

Como lida com o bloqueio criativo?
Não costumo ter bloqueios criativos. Tenho mais dificuldade em lidar com o excesso de ideias. No entanto, por vezes, o cansaço impede as ideias de fluírem: nesses dias, simplesmente abro um livro e leio. Pode ser um livro qualquer, mas a poesia costuma ser a melhor opção, o melhor remédio.
Qual foi o melhor ou o pior conselho de escrita que já recebeu?
O pior conselho que recebi terá sido o de evitar escrever sobre a “ilha”, ou seja, sobre as minhas origens de ilhéu ou o fenómeno da insularidade. O melhor conselho terá sido precisamente o oposto: o de escrever livremente, de abordar os temas que me interessam, de narrar aquilo que me emociona, por exemplo, o dilema de ficar ou sair da ilha. Não significa que não escreva sobre outros temas.
Quem é a pessoa, ou qual é o lugar ou prática que teve o maior impacto na sua formação como escritor?
A minha mãe é a primeira culpada: abastecia as minhas estantes com livros. Também tenho um enorme respeito pela geração de escritores que me antecede e tento concretizar essa admiração aprendendo com eles, sobretudo lendo-os. Mas eu diria que o maior impacto será o de escrever com regularidade: seja qual for o género, estou sempre com algum projeto de escrita a decorrer, colocando em prática a vontade de melhorar a cada livro.
Há alguma parte da sua rotina de escrita que poderia surpreender os seus leitores?
Talvez o facto de, na medida do possível, optar por não escrever durante o fim de semana, tempo que reservo para a família. Outra curiosidade é que, de vez em quando (agora raramente devido à vida profissional), escrevo dentro do carro, estacionado diante do mar ou da Lagoa das Sete Cidades. Coisas de quem vive na ilha.
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Pedro Almeida Maia nasceu na cidade de Ponta Delgada em 1979. Estudou Psicologia Organizacional em Coimbra e em Barcelona, Espanha; trabalhou na Irlanda e regressou aos Açores em 2017.
Na literatura, realiza incursões em diversos estilos, da música à crónica, do ensaio ao argumento, da poesia ao conto.
Dos trabalhos já editados, entre eles Ilha-América e A Escrava Açoriana, alguns foram premiados ou encontram-se no Plano Regional de Leitura.
A Força das Sentenças, a sua sétima obra, venceu o Prémio Literário Manuel Teixeira Gomes. O seu mais recente livro é Condenação. (via Wook)
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